O Ouro como porto seguro em crises geopolíticas

Nas últimas semanas, o ouro entrou novamente em uma onda de valorização no mercado financeiro, chegando à 1.556 USD/oz nesta segunda-feira, 15, tendo como principal motivo as tensões geopolíticas no Oriente Médio.

O metal é tipicamente considerado um refúgio para os investidores em tempos de incertezas, pois pode ser utilizado como uma reserva de valor amplamente aceita quando o mercado perde a confiança nas demais commodities, moedas ou ações.

Nesse contexto, o ouro é considerado uma excelente proteção contra a inflação. O metal é considerado mundialmente um dos ativos financeiros mais seguros da economia. Isso porque além de ser um ativo físico, o ouro serve de lastro à reserva monetária de inúmeros países, tendo seu valor e demanda sempre garantido.

Histórico do Ouro

O ouro é objeto de intensas negociações e movimentação de ativos financeiros há séculos e tem sido utilizado pela humanidade desde 3000 a.C. como moeda de troca, mas somente foi reconhecido como recurso monetário universal a partir de 1750, com a intensa exploração do ouro no Brasil e África. Estimam-se, a partir dos registros históricos, que mais de 160 000 toneladas de ouro tenham sido extraídas nos últimos 5000 anos, das quais cerca de 112 000 foram extraídas apenas de 1800 até hoje, segundo o World Gold Council (WGC, In Gold We Trust, 2018).

Os marcos da produção de ouro no mundo são, em ordem cronológica, a descoberta das minas do Peru e México pelos espanhóis, o ouro de Minas Gerais pelos portugueses e num segundo momento, o avanço do desmonte hidráulico e dinamites entre os séculos 19 e 20 que aumentaram expressivamente a produção dos Estados Unidos, Austrália e África do Sul.

As reservas mundiais giram em torno de 54,000 toneladas, sendo os países detentores das maiores parcelas África do Sul, Rússia, Austrália e Estados Unidos, na respectiva ordem de relevância, enquanto os maiores produtores são, em ordem decrescente, China, Austrália, Rússia, Estados Unidos e África do Sul, conforme Sumário Mineral do Departamento de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos de 2019

Estima-se que mais de metade de toda a produção mundial de ouro seja utilizada para reservas bancárias como garantia de equilíbrio nas transações comerciais internacionais. As demais aplicações econômicas desta commodity resumem-se a sua utilização como matéria-prima para as indústrias aeroespacial e de componentes eletrônicos, para a odontologia e para joalherias.

O Ouro nos tempos de crise

Em épocas de crise e instabilidade econômica e financeira, investidores sacam seu dinheiro de ativos mais instáveis, como o mercado de ações, por exemplo, e o refugiam na segurança do ouro. Historicamente, a commodity é considerada um ativo estável: toda vez que há perspectiva de conflito no mercado global, a procura aumenta, e o preço, também.

O ouro é frequentemente chamado de “mercadoria de crise”, tendo em vista que os investidores fogem para sua relativa segurança quando ocorrem crises mundiais. Quanto mais tensões comerciais ou geopolíticas há no mundo, maior a demanda pelo metal, que tem oferecido retorno superior a outros ativos como ações, dólar e poupança.

A escassez (diferentemente das moedas, não há como se imprimir uma maior quantidade), a fácil divisão e a perenidade associada à não corrosão ou deterioração, fazem do ouro uma reserva de valor clássica.

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Conflito EUA X Irã

O motivo da alta mais recente do metal foi a tensão crescente entre Estados Unidos e Irã, depois que o presidente americano Donald Trump autorizou no último dia 03, um ataque aéreo das forças armadas americanas que matou o general Qassem Soleimani, líder da ala estrangeira da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.

No dia 05 de janeiro, o Parlamento iraquiano aprovou uma resolução que expulsa tropas americanas no país. Desde então, Trump ameaça o Iraque com sanções.

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Com autoridades iranianas prometendo retaliação à ofensiva dos Estados Unidos, os investidores ainda estão tentando avaliar as consequências finais da morte de Soleimani para a estabilidade geopolítica regional e global, em uma das mais importantes zonas de produção e transporte de petróleo no mundo.

No dia 06, os analistas do banco Goldman Sachs escreveram em relatório a clientes que, em episódios de tensões geopolíticas desta natureza, comprar ouro é uma proteção mais eficaz à carteira do que ter posições em petróleo.

No entanto, há dentre investidores e analistas a percepção de que a escalada na tensão entre EUA e Irã está diminuindo, reduzindo os temores no mercado.

Para quem é interessante investir

A aplicação é mais indicada para investidores que já possuem recursos distribuídos em outros produtos financeiros, ou seja, têm uma carteira de investimentos diversificada. O ouro preserva patrimônio e compensa o risco de outros ativos, como as ações de empresas.

No caso do investidor individual a aplicação em ouro é indicada apenas se ele tiver sensibilidade para compreender os movimentos do mercado. O pequeno investidor precisa ter conhecimento do mercado para entrar quando está barato e se aproveitar de momentos de crise para vender.

Quais as formas de investir

Existem maneiras diretas e indiretas de apostar no ouro como um investimento, os mais comuns e aconselháveis são:

  • Ouro físico
  • Contratos na BM&FBovespa
  • Fundos de Investimento

1. Investimento em Ouro físico

Para comprar ouro físico (em barras) é preciso buscar uma instituição financeira que comercialize o produto, fazer o cadastro e comprovar a sua renda para compras realizadas com valor acima de R$ 10.000,00.Além disso, é preciso encontrar um banco custodiante, ou seja, aquele que vai guardar o ouro e pagar uma taxa de custódia mensal sobre o volume financeiro mantido, podendo variar de 0,07% a 0,15%.

Além disso, outra opção para a compra física é negociar diretamente com uma distribuidora de ouro, e manter a custódia em casa. Nesse cenário as distribuidoras geralmente cobram uma taxa de 1% sobre o valor negociado. É importante destacar que nessa modalidade o risco de perda do ativo é maior, dado que não estaria mantido dentro de uma instituição financeira que detém segurança e seguro para os ativos em custódia.  

Uma das desvantagens desta forma de investimento é a menor liquidez na hora da venda, sendo mais difícil encontrar uma contraparte disposta a comprar pelo preço de mercado.

2. Contratos futuros na BM&F Bovespa

Nessa opção, o investidor precisa buscar uma instituição financeira cadastrada na BM&F Bovespa (Corretora de Valores ou seu próprio banco.)

São negociados contratos fracionários de 0,225 g até 10 g, ou os contratos cheios, de 250 g. Por este sistema, além de obter maior liquidez para compra e venda, o investidor só paga a taxa de corretagem pela negociação, a custódia fica por conta da corretora.

Nesse tipo de negociação o investimento em ouro se assemelha ao investimento em renda variável e, assim como a tributação do imposto de renda em ações, é isento de imposto de renda para investimentos menores que R$ 20.000,00.

3. Fundos de investimento em ouro

Os fundos de investimento são a opção mais acessível para a maioria dos investidores, uma vez que você não precisa se preocupar com a burocracia de comprar o ouro em espécie e nem com os meandros do mercado futuro.

Com fundos de investimento em ouro, o investir terceiriza a gestão deste ativo à um gestor profissional. O fundo pode tanto ser passivo, que compra o ouro e simplesmente sofre as variações no preço, ou ativo, que compra e vende ouro de acordo com o momento de mercado, buscando rentabilidades maiores.

Quais são os riscos?

O valor do ouro pode mudar a cada momento, de acordo com vários fatores. Então ele não é uma garantia de que se terá uma alta rentabilidade, apenas que não está sujeito as mesmas alterações que as moedas comuns. A seguir, listamos alguns fatores que podem alterar o valor do ouro:

  • Política monetária de diversos países;
  • Oferta e demanda de investidores nas bolsas ao redor do mundo;
  • Importação e exportação de metal entre países;
  • A sazonalidade ao longo do ano;
  • Fatores naturais que afetam a extração do ouro.

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